06/09/2006 09:50
Sonho de menino
Dar asas à imaginação. Reviver os tempos de criança. Já não mais com o mesmo vigor contemplado pela infância, mas, com o entusiasmo que só um adulto com simplicidade e alegria características possui. Sair do saudosismo e se permitir experiências similares: confeccionar os próprios brinquedos! Criar e se presentear. Criar e presentear os amigos. Criar aqueles brinquedos os quais desejávamos e nem sempre, ou quase nunca, poderíamos possuir. E foi pensando em reascender e satisfazer esses anseios, que Sebastião Eugênio Santana, comerciante da cidade de Viçosa, passou a se dedicar ao artesanato.
Acerca de três anos, a arte despontou na vida dele como uma manifestação das memórias de sua infância. Pular corda, embalar no balanço, jogar bola, uma infinidade de brincadeiras que aquiescem as crianças passaram a ganhar forma no biscuí através das mãos de Sebastião. Sem utilizar nenhuma técnica específica e se limitando apenas aos sobrevôos da sua imaginação, o artista vai modelando as peças e vai construindo sonhos nas suas horas de lazer.
Sebastião define o seu trabalho como um passa tempo. Nos momentos livres, ele se refugia num espaço reservado em sua própria casa, um cantinho especial onde ele é guiado pela sua inspiração. Nele, além do biscuí, madeiras, raízes e materiais descartados são trabalhados, compondo diversas peças, que hoje não se limitam mais somente às brincadeiras de criança.
As criações se ampliaram ao universo das crianças como um todo, no qual, tudo é possível, desde que se deixe conduzir livremente pela imaginação. Atualmente, o artista tem um olhar diferenciado para todas as coisas que o rodeiam: desde um manequim, frio, funcional, rígido, apático, até um mero pedaço de lata descartado, quase totalmente tomado pela ferrugem, ganham expressões e composições surpreendentes.
Cada uma das peças feitas possui uma história particular e compõem uma coleção que Sebastião mantém, na qual elas compartilham espaço com peças de um amigo, Expedito Ribeiro, artista já consagrado no mundo da arte.
E assim, conduzido por uma inspiração infantil, Sebastião Eugênio Santana vai adentrando ao mundo da arte, construindo sonhos e edificando memórias.
enviada por Elaine e Cristiano
06/09/2006 09:31
Pintura arquitetada
Trabalhos para decoração, design, arquitetura, pintura são algumas das multifacetas da arte bem desenvolvidas pelas mãos de Sérgio Ramos, mas é com as telas onde melhor identificamos sua identidade.
Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em Arquitetura e Urbanismo, conseguiu sua primeira exposição ainda como estudante, em 1988, no espaço do Cineclube cedido pela universidade.
Dentre outros prêmios, o artista lembra de um que ganhou, pela categoria Artes Plásticas, em Nova York. Nesse prêmio eram mais de 5000 concorrentes. Eu trabalhei com tinta pra tecido em material reciclado. Com uma semana em NY, o pintor ficou feliz em visitar museus e galerias na cidade.
O estilo peculiar de Sérgio Ramos imprime em suas obras a possibilidade de a reconhecermos mesmo antes de ver a assinatura. O uso de tintas com tons terrosos, o equilíbrio e disposição dos objetos, ícones recorrentes nas telas, o desenho medido e meticuloso, tudo nos revela a identidade desse artista que consegue relacionar tão bem as artes plásticas com a arquitetura.
Em entrevista cedida ao ArtesãoNato, Sérgio fala um pouco de seu modo de trabalhar:
AN: Sua mãe também pinta. Você teve influência dela para começar a desenvolver seus trabalhos?
SR: Minha mãe já pintou muito. Hoje, insisto pra ela voltar a pintar. O estímulo da família é que foi muito importante pra mim. Toda criança tem o hábito de desenhar. Se os pais acabam notando uma tendência na música, pintura, escultura eles devem incentivar os filhos.
AN: Arte é criar ou recriar?
SR: Um amigo meu diz que vivemos na era dos ismos, dadaísmo, expressionismo, futurismo. Nós estamos tão cercados de influências por todos os lados que isso acaba refletindo no nosso trabalho. Dentro daquilo que já existe, o artista deve criar seu próprio estilo.
AN: Qual a influência da religiosidade em suas obras?
SR: Eu tenho alguns quadros com peixes, São Francisco de Assis, anjos. Recebi muita influência em São João del Rei onde eu mantive uma loja durante um ano. Eu gosto de trabalhar com a simbologia, os mitos. Tenho estudado a metafísica onde os personagens estão na cena, mas olham pra outra dimensão
AN: O que Inspira Sérgio Ramos
SR: Eu fico fechado e escolho exatamente o que vai me inspirar. Tenho lido muito Fernando Pessôa depois de ler O ano da morte de Ricardo Reis de José Saramago. Para buscar inspiração procuro ficar sozinho, no silêncio. Quando o artista se incomoda com a solidão é a hora em que ele cria. Mas, enquanto estou trabalhando, não gosto de ficar totalmente isolado, escuto uma música, fico perto de meus filhos.
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São Francisco
na Madeira |
Obra vencedora do
Nova York Art D'zarm |
enviada por Elaine e Cristiano
05/09/2006 03:32
Café com rapadura
A arte está arraigada na vida do poeta Júlio Paixão e conseguiu fixar suas raízes mesmo no chão da árida caatinga. Caçula de uma família de 18 filhos, Júlio lembra nostálgico de sua infância no Piauí. Em minha casa tinha um jardim verde que contrastava com a seca.
Sempre muito dedicado aos estudos, ainda jovem, sendo o aluno de melhor rendimento da classe, conseguiu uma bolsa para estudar no Rio de Janeiro. A família ficava muito feliz ao receber as cartas que enviava. E foi com elas que se pode perceber o despertar de um ótimo artesão das palavras.
Quando foi para a Bahia, Júlio desenvolveu seu dom para dramaturgia e estudou direção geral pela Universidade Federal da Bahia. Nesse período, ele conheceu o cineasta Glauber Rocha. Eu e Glauber éramos amigos mão na bunda e explica a expressão baiana, éramos grandes amigos, íntimos, o que, além do talento, contribuiu para seu bom desempenho no teatro.
Contudo, naquela época havia muito preconceito contra os que pretendiam uma carreira no campo das artes. Foi muito incentivado a seguir a área de Direito e, mesmo a contragosto, chegou a cursar durante um ano atendendo aos anseios do pai.
No início da década de 60 a família mudou-se pra Viçosa. Júlio ingressou na Escola Nacional de Floresta vinculada à Universidade Rural do Estado de Minas Gerais atual Universidade Federal de Viçosa. Diplomado, em 1964, pela primeira turma do Brasil com o título de Engenharia Florestal, ele desenvolveu, anos mais tarde, um projeto de oficina teatral no campus.A primeira peça que apresentamos foi 6 personagens à procura de um autor, escrita em 1921 por Luigi Pirandello.
 Respeitado como poeta e contista, passou a integrar a Academia de Letras de Viçosa, fundada às vésperas do natal de 1985. Júlio de Castro Paixão se diz lisonjeado por poder participar da ALV e, desde 29 de novembro de 1991, ocupa a cadeira de número 22 do patrono Vinícius de Moraes. Vinícius freqüentava a casa de meu irmão em Itapuã. Só que nunca tive a oportunidade de encontrá-lo lá. Eles chegaram a se conhecer num restaurante e, apesar da rápida conversa, Júlio se sentiu muito feliz com o encontro.
Em entrevista ao ArtesãoNato ele falou de como é ser poeta:
AN: Em O guardador de rebanhos, Pessôa escreve sob o heterônimo de Alberto Caieiro:
"Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho."
Para você, o que é ser poeta?
JP: Para mim existem ambições, sim. Acho que o poeta deve mostrar sua criação, se sentir motivado pelo reconhecimento. Ser poeta é uma forma de desnudar minha alma.
AN: O que faz de você o Poeta Júlio Paixão?
JP: Minha maneira de escrever, a linguagem, o pouco de erotismo, de saudosismo. As pessoas me reconhecem pela minha criatividade, pelas minhas idéias que surgem de forma natural, espontânea.
AN: Qual a matéria-prima da poesia?
JP: A dor respondeu enfaticamente, e depois de uma pausa, complementou , também a nostalgia, a influência da infância.
Seu novo trabalho literário está em fase de conclusão. O livro METÁFORAS vai reunir alguns contos recentes e outros baseados em idéias que estavam escondidas na gaveta.
Júlio Paixão nos presenteou com a declamação do poema Sobremesa, extraído de seu livro de poesias ENTREGA. O escritor confessou que no recém comemorado aniversário do "irmão mais velho", de 90 anos, todos se emocionaram quando recitou o poema. Ele representa muito pra mim e me faz lembrar da minha infância com a minha família.
enviada por Elaine e Cristiano
05/09/2006 03:15
Arte esotérica
Bruxas, duendes, fadas, magos e gnomos. Estes são os produtos finais de uma arte encantadora, que se iniciou, espontaneamente, com a feitura de objetos para a decoração da própria casa da artista Edinéia. Ela começou fazendo bruxas, devido ao seu gosto e interesse pelo assunto alimentados desde sua infância. Posteriormente, as bruxas de Edinéia juntaram-se aos duendes e gnomos de João, seu marido. Através dessa união, os objetos foram tomando novas formas, cores, expressões e proporções, e passaram a ser expostos no Calçadão de Viçosa.
Utilizando-se apenas das mãos como ferramentas de trabalho e explorando uma qualidade inata, o casal de artistas dão traços e contornos à porcelana fria, principal matéria-prima utilizada, levando às pessoas arte, cultura e conhecimento manifestados em peças revestidas de simbologia e tonalizadas segundo a Cromoterapia.
O trabalho alcançou tamanha expressividade que além das bruxas e elementais, apresenta também incensários, luminárias e caricaturas, tanto de celebridades ou de anônimos que desejam ter seus traços de detalhes modelados em porcelana fria.

enviada por Elaine e Cristiano
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